22.5.08

Ternura dos 50 (recebido por mail, mas o título é meu)

O valor dos maiores de 50

Os maiores de 50 têm mais valor que os dos outros grupos etários:
Têm prata nos cabelos!
Ouro, aço, níquel e chumbo nos dentes!
Pedras no fígado!
Chumbo nos pés!
Ferro nas articulações!
E uma fonte inesgotável de gás natural!!!
Nunca pensei poder vir a ter tanto valor...

Eh eh eh eh eh J

8.5.08

Mais uma quadra

Sou professora,
mas não me apetece
no próximo ano
votar PS.

Venha a direita,
venha a Esquerda,
desta feita
já ando lerda.

O S. pra um lado,
para o outro a M.,
não haverá outro fado
para pegar no leme?

brit com

11.4.08

Para o Visiense:

Nem sempre
a vida é justa
Nem sempre
a vida nos sorri
Nem sempre
o medo afasta
Nem sempre
a tristeza de ti

Tenta ser forte
Tenta não esmorecer
Nunca a dor foi sorte
Fácil de esquecer

E no final...
É simplesmente injusto!

Autor: Prof Contratado

1.4.08

Recebido por mail:

SAI...SAI DA MINHA VIDA !
ALMA "Tão mesquinha e tão vil, tu que pariste"

Tão mesquinha e tão vil, tu que pariste
As normas do estatuto do docente,
Não tens nada de humano, não és gente,
Nada mais que injustiças produziste.

Se lá nesse poleiro aonde subiste
O estado do ensino tens presente,
Repara como és incompetente,
Como a classe docente destruíste.

Se pensas que esta gente está domada,
Te aceita a ti, ao Valter e ao Pedreira,
Estás perfeitamente equivocada:

Em breve encontraremos a maneira
De vos correr p'ra longe à cacetada,
Limpando a educação de tanta asneira!

H. RAQUEL ADRÃO

18.3.08

Recebido por mail:

> Objectivos individuais
> Teresa Martinho Marques
>
>
> Agora que o ano começa,
> e para que comece bem,
> vou fazer uma promessa
> ao meu pai e à minha mãe:
> Cumprirei os cem por cento
> do meu serviço lectivo,
> os mui nobres objectivos
> do apoio educativo,
> o serviço não lectivo,
> sempre de olho bem vivo,
> para ter pontuação máxima
> do conselho executivo.
> Serei a melhor a melhorar,
> os resultados de alunos,
> e nunca mais dormirei,
> se isso significar,
> provar por A+B
> que sou eu quem mais consegue abandonos evitar.
> E ainda, coisa pouca,
> vou participar que nem louca,
> na vida do agrupamento,
> actividades e festas,
> projectos curriculares,
> extracurriculares,
> tudo o que me ordenem chefes e titulares,
> andarei em roda - viva,
> somando pontos à toa,
> não quero que nada me escape,
> que eu cá sou muito boa
> e bem pouco dada a ais,
> quando defino e cumpro objectivos pessoais.
> Serei moça empenhada,
> cheia de qualidade na minha participação,
> e não haverá nenhum chefe
> que não repare em mim
> e em tod'esta dedicação.
> Já nos órgãos de gestão,
> estruturas de orientação,
> função de avaliador,
> de mestre coordenador,
> pontitos não posso ter...
> não quis ser titular e portanto por aí,
> não há nada a fazer
> (mas livro - me, sim senhor,
> de ser bem investigada,
> com pormenor e rigor,
> pelo senhor inspector).
> Promessas p'rá formação,
> não sei se as posso fazer,
> com o trabalho do mestrado
> não me sobra qualquer tempo,
> mesmo que durma pouco e ande sempre a correr...
> Mas tentarei, ind'assim,
> ter máxima pontuação,
> na avaliação de projectos,
> dos de investigação,
> cheios de inovação da coisa educativa,
> que eu por mais que me sufoquem,
> esbracejo e venho à tona,
> tentando ser criativa.
> Prometo relacionar - me,
> com toda a cordialidade,
> com todos e mais alguns,
> escola e comunidade,
> ter sempre o máximo dos pontos,
> sorrir a sérios e tontos,
> desenvolver contra a náusea,
> tod'a minha imunidade.
> E preparar, organizar,
> realizar as actividades lectivas,
> para que o chefe me dê,
> sempre sem hesitar,
> os quatro máximos pontos,
> seja qual for o parâmetro que esteja a considerar,
> cumprir objectivos, programas,
> tudo correcto sem falhas,
> disfarçando bem as gralhas,
> usar muitos materiais,
> ter em ordem dossiers e estimular tudo mais,
> mesmo agora sem ter tempo para as aulas preparar.
> E para ele me pontuar,
> maximizando o número,
> a relação pedagógica,
> nas aulas que for visitar,
> e se convencer também que sou boa a avaliar,
> recorrerei ao açúcar, chocolates, rebuçados,
> gelados e mais recompensas,
> promessas e ameaças,
> feitiços e outras graças
> que eu não sou de brincadeiras,
> ou bem que os miúdos ajudam,
> p'ra ninguém me mal grelhar,
> ou bem que se fritam eles
> se não querem ajudar.
> E na auto - avaliação
> direi o melhor de mim
> (que se a gente não se amar,
> quem de nós irá gostar tanto tanto tanto assim?).
> No fim de tudo isto,
> se não garantir um excelente,
> porque não há lugar na cota e é inconveniente,
> morderei de novo a raiva,
> farei um sorriso contente
> (será melhor prevenir),
> despeço - me por mais dois anos,
> na esperança do que há - de vir,
> que a coisa definhe e morra
> de enfarte e estupidez
> e que eu sobreviva à dita,
> sem ter ferido o amor que aqui me trouxe e me fez
> (de alma e coração,
> acordada e alerta,
> contra todos os absurdos,
> sem me vergar com a dor)
> defender com toda a força,
> a coisa séria que é isto de ser professor.
> Agora que o ano começa,
> e para que comece bem,
> vou fazer uma promessa
> ao meu pai e à minha mãe:
> Prometo ser forte e lutar
> para que o pesadelo descrito
> não me afogue a inteligência,
> não me contamine o corpo,
> não me deforme o sorriso,
>
>
> nem me impeça de sonhar...
>
>
>
> Autora: Teresa Marques, Prof. de Matemática.

15.3.08

Colocado n'O Cartel:

O poder do silêncio

É preciso aprender, com o silêncio, a ouvir os sons interiores da alma, a calar nas discussões e assim evitar tragédias e desafectos.

É preciso aprender, com o silêncio, a aceitar alguns factos provocados, a ser humilde, deixando o orgulho gritar lá fora, evitar reclamações vazias de sentido…

Aprender com o silêncio a reparar nas coisas mais simples, valorizar o que é belo, ouvir o que faz algum sentido…

É preciso aprender, com o silêncio, que a solidão não é o pior castigo, pois existem companhias bem piores, devendo aprender-se, com o silêncio, que a vida é boa e bela, que só precisamos de olhar para o lado certo, ouvir a música e ler o livro certo.

Deve aprender-se com o silêncio que tudo na vida tem um ciclo, tal como existem as marés, que vão e vêm, as aves que migram e regressam ao mesmo local, como a terra, que dá a volta completa sobre o seu eixo, deve completar-se a tarefa.

Deve aprender-se a ensinar, com o silêncio, a respeitar a vida, a dar valor ao dia, ver em nós as qualidades possuídas, equilibrar os defeitos, sabendo ser preciso corrigi-los e ver quem, ainda não se descobriu… Aprender com o silêncio a relaxar, mesmo nos piores momentos, na maior dificuldade, na disputa mais acalorada…

Deve aprender-se, com o silêncio, a respeitar o “eu”, a dar valor ao ser humano que cada um é, a respeitar o templo que é o nosso corpo, e o santuário que é a nossa vida.

Aprender hoje, com o silêncio, que gritar não traz respeito, que ouvir é melhor que falar muito…

Na natureza tudo acontece com poder e silêncio, com o silêncio poderoso.
Por vezes, o silêncio, é confundido com fraqueza, apatia ou indiferença. Pensa-se que a pessoa portadora duma virtude está impedida de reclamar os seus direitos e deve tolerar, com passividade, todos os abusos.

Acredita-se que o silêncio não combina com poder, pois esse tem-se confundido com a prepotência e a violência. O sol nasce e põe-se em profunda quietude; move gigantescos sistemas planetários, mas penetra, suavemente, as vidraças duma janela sem as quebrar.

Deve acariciar-se uma rosa sem a ferir; beijar a face duma criança adormecida sem a acordar. Aí, uma vez mais, vamos encontrar na natureza, preciosas lições que nos dizem que o verdadeiro poder anda de mãos dadas com a quietude.

As estrelas a galáxias descrevem as suas órbitas em grande velocidade pelas vias inexploradas do cosmos, mas nunca deram sinal da sua presença, pelo mais leve dos ruídos.

O oxigénio, poderosa fonte de vida, entra nos nossos pulmões, circula discreto pelo nosso corpo, sem que notemos a sua presença.
A luz, a vida e o espírito, os maiores poderes do universo, actuam com a suavidade duma aparente ausência.

Como nos domínios da natureza, o verdadeiro poder do homem não consiste em actuar com violência física. Quando um homem conquista o verdadeiro poder, toda a antiga violência acaba em benevolência. Porque a violência é sinal de fraqueza e a benevolência é indício de poder. Os grandes mestres sabem ser severos e rigorosos sem renegarem a mais perfeita quietude.

Até mesmo a morte, chega de mansinho e, como hábil cirurgiã, rompe os laços que prendem a alma ao corpo, libertando-a do cativeiro físico.

O verdadeiro poder chega sem ruído, sem alarde e sem violência. Sempre que a palavra poder vier à mente, lembremo-nos do sol, que nasce e se põe em profunda quietude, move gigantescos sistemas planetários, mas penetra suavemente pela vidraça duma janela e nós só o sabemos pelo calor que nos proporciona.

Acariciar as pétalas duma flor sem a ferir e beijar a face duma criança adormecida sem a acordar…

Bem-aventurados, aqueles que sabem ensinar o silêncio, porque eles possuirão a Terra.

O êxito e o fracasso da vida não dependem da força que se aplica numa tentativa, mas na persistência no que se faz.

19.8.07

Um comentário deixado no Cartel:

Lembro-vos um poema de Ruy Belo :

Morte ao meio dia

....
A minha terra é uma grande estrada
que põe a pedra entre o homem e a mulher
O homem vende a vida e verga sob a enxada
O meu país é o que o mar não quer.



Um abraço,


otaciturno.blogspot.com

15.8.07

Titular em linha recta

Nunca conheci quem tivesse dado aulas a sério.
Todos os meus colegas têm tido cargos e dão menos aulas.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes submisso, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parvo,
Indesculpavelmente sabujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para a direcção de turma,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que até tive um processo disciplinar por recusar cargos
Por preferir dar aulas

Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos dos alunos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico nas aulas,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos alunos,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do cargo surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do cargo;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho perfil para titular.

Bardamerda para este Governo de medíocres e salafrários.

(Henrique, hora absurda IV)

2.8.07

Objectos de iluminação

São sete os objectos que se encontram sobre a mesinha:
- Um candeeiro que me ilumina na noite;
- Um livro de poemas que me ilumina a mente;
- Um guia de viagens que me ilumina a vontade;
- Um medicamento que me ilumina o cérebro;
- Um creme facial que me ilumina o rosto;
- Um leitor de cd's que me ilumina o espírito;
- E um vibrador que me ilumina o corpo.
Conjunto perfeito!

28.7.07

Um conselho intemporal

Neste país

em diminutivo

juizinho

é que é preciso.

Alexandre O'Neill escreveu este poema há cerca de quarenta anos.

20.7.07

Reservado.


Este espaço é reservado
para a poesia que não fiz.
Para o verso previsível
que no fundo me roubaram.
É dedicado ao louco
que na esquina dos pecados
(que na verdade nem conhece)
rosna versos aos que passam
e recebe ingratidão.

Cole aqui o seu panfleto
pedindo respeito aos eleitos,
mais amor ao especialista,
carne para quem saliva...
Escreva e cole com cuidado,
muitos precisam ler.

Este espaço é reservado
para a alegria que não vejo
nos portões das casas baixas
que já não existem mais.
É dedicado aos poucos
que, desejando serem muitos,
se perdem na escuridão
promovida pelos outros,
os que se dizem poder.

Cole aqui a sua foto
com a legenda bem visível:
"Procuro-me — Sumiu
a estrada que me deram
no dia em que nasci
e que eu tinha que trilhar".

Este espaço é reservado
para que reacendam a luz
que nos olhos cintilava
e que hoje morre de fome.
Cole aqui a sua raiva
mas não deixe de lutar.

---
Imagem da série de Isabel Silva por ©1000imagens.
---
Postagem original de Juliu's Pub.

Vergonha

« De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer as injustiças,
de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos erradas,
o homem chega a desanimar-se da virtude,
a rir-se da lealdade,
a ter vergonha de ser honesto. »

José Gil

12.7.07

Para os condenados pelas Juntas Médicas

"Fim (Quando eu morrer)"


Bert Christensen's
Alan Boileau
From Bert Christensen's Cyberspace

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.

Mário de Sá Carneiro

10.7.07

A arte de driblar o tempo

9.7.07

Todo Mundo e Ninguém

NINGUÉM- Tu estás a fim de quê?

TODO MUNDO- A fim de coisas buscar
Que não consigo topar.
Mas não desisto, porque
o cara tem de teimar.

NINGUÉM- Me diz teu nome primeiro.

TODO MUNDO- Eu me chamo Todo Mundo
e passo o dia e o ano inteiro
correndo atrás de dinheiro,
seja limpo ou seja imundo.

BELZEBU- Vale a pena dar ciência
e anotar isto bem,
por ser fato verdadeiro:
Que Ninguém tem consciência,
e Todo Mundo, dinheiro. (...)

Carlos Drummond de Andrade, A Palavra Mágica

19.6.07

O Alquimista

A lonjura é a distância da viagem, a idade não cobre os rochedos, passam ventos de encantamento descobrindo mil e um segredos, tantas histórias, tanto caminhar, quanto tempo leva a viagem das pedras e se o sol não voltasse no amanhã achas que a lua sorria para elas?...

12.6.07

1896 e 2007: descubra as diferenças!

A arte da intemporalidade de Guerra Junqueiro...

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de
carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem
uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é
capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde
vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é
bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma
nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
[.] Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o
bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na
vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a
veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém
que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos,
absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do
moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo
utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um
ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso,
pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de
jantar."

Guerra Junqueiro, "Pátria", 1896.

11.6.07

"Mailado"


Ó povo nem tu sonhas,
Ai o Gago não mata,
Ai 'té lava diplomas,
Ai põe-nos cor de prata.

Três diplomas, um bacharel,
Sete exames, um Doutor,
Três notinhas no papel,
Que o freguês é um Senhor.

Engenheiro, sorridente,
Engenheiro que o curso aldrabou,
Universidade, Independente,
Povinho que o Sócrates enganou.
Um curso de engenheiro,
Vê lá bem tão lavadinho,
Influências ou dinheiro,
Vê lá bem, está aprovadinho
.



--
Podes Visitar-me em:
http://umsonhochamadomatilde.blogspot.com
http://aminhatshirt.blogspot.com
http://asreceitasdaligia.blogspot.com

9.6.07

Questiono-me quantos políticos se inspiram nestes versos...

MATAR

Aprendo muito cedo
a arte de matar.
A formiga se presta
a meu aprendizado.
Tão simples torturá-la
no trêmulo caminho.
Agora duas. Três.
Milhares de formigas
morrendo, ressuscitam
para morrer de novo
no ofício a ser cumprido.
Intercepto o carreiro,
esmago o formigueiro,
instauro o pânico,
e sem fervor agrícola,
sem divertir-me, seco,
exercito o poder
de sumário extermínio,
até que a ferroada
na perna me revolta
contra o iníquo protesto
da que não quis morrer
ou cobra a sua morte
ferindo a divindade.
A dor insuportável
faz-me esquecer o rito
da vingança devida,
já nem me acode o inverno
de supermortes para
imolar ao infinito
imoladas formigas.
Qual outra pena, máxima,
poderia inflingir-lhes,
se eu mesmo peno e pulo
nesse queimar danado?
Um deus infante chora
sua impotência. Chora
a traição da formiga
à sorte das formigas
traçada pelos deuses.

Carlos Drummond de Andrade, A Palavra Mágica

8.6.07

Costa


Eu quero,em cima da mesa, poetar !
E arrotar poesia de toda a maneira !
E a quem ousar, a forma, criticar,
Lh'apontarei o verbo a vida inteira!

Será como um falo que está vivo ou
está morto,
em viagra avinagrado conservado !
Pensado para ser estrela naquele horto,
em que o falo,mesmo morto,está acordado !

Eriça-se-lhe a pele e os tomates,
só de pensar que no blog teve escusa,
mesmo sendo o falo que fez mais remates
e aquele que ao fim e ao cabo, deu mais tusa !

Recolho a Penates, contundido,
com tão severo tratamento...
e amanhã acordo tão f******
que há-de haver frio,chuva e vento!

Kanoff

The year's at the spring,
And day's at the morn;
Morning's at seven;
The hill-side's dew-pearl'd;
The lark's on the wing;
The snail's on the thorn;
God's in His heaven-
All's right with the world!

Costa


Oh cona cacofónica,botânica,
teorética,gastro-hiperbólica !
És a primeira invenção mecânica
movida a energia eólica !

Cona pungente,híbrida, corcunda,
sem lábios, sem útero, sem gr~elo !
Como queres levar uma bem funda ?
Vá lá a gente percebê-lo ...

Vai pedir ao Alcaide e ao Bartolomeu
insignes Mestres desta gente,
que eles te darão o que não te dei eu
até que a mecânica arrebente...

Histológico-vaginal e sequiosa,
que até nas bordas junta celulite !
És cona reles, imunda e mal gostosa,
E branquinha, tal qual esferovite !

Cona esquecida,gasta,esquelética,
que da idade já não lembra nenhum pau...
Neste verso, fenece-me a fonética...
Que o versejar,até aqui nem era mau?!...

Cona que muito chias, sem lubrificação,
põe-te flores como quem está no cemitério...
não percebo como ainda dás tesão...
para mim...há aí qualquer mistério...

(idem,ide, aspas,aspas !!!)

Costa

E se eu me afundasse na tua sintaxe
e repousasse bem dentro do verbo,
que sentirias tu,se eu iluminasse
dentro de ti,os quereres que exacerbas ?

E quando a língua percorresse sem fim
os recônditos muros que envolvem o sexo,
Que êxtase ! Darias por ti a gritar por mim
Sentimentos, emoções,palavras sem nexo !

Respiras ofegante, oferecendo-me o seio
Para que eu o beije,para que eu o morda...
E de entre os dois, ofereces-me o meio
de saltar o rio, cujo leito transborda !

Ficamos assim, num amplexo divino
sentindo as veias saltando do corpo !
E a cada minuto, perdemos o tino...
O muito que fomos, soube-nos a pouco !

(Inédito aqui!Já publicado algures)

Costa

Tu és a sombra da Sombra
Sol forte que me incendeia.
Tu és a mão que assombra
E vai tecendo o teia...

Tu na sombra fazes sombra
aos encantos virginais !
Tu és a mão que assombra
E me fazes dar os ais ...

A tua sombra que assombra
o púbis mais delicado,
Com a mão tu fazes sombra
Nesse recôndito guardado...

Sai da Sombra e deixa a Luz
Penetrar no fundo escuro,
e deixa a mão onde a pus,
que assim me sinto seguro ...

(Inédito aqui!Já publicado algures.)

6.6.07

Procurei pelos cantos todos
Uma rima pra ministra...
Saiu-me merda a rodos
E uma figura sinistra !

Novidade inexistente
Envolta no maior mistério !
Tem resmas e resmas de gente
Esperando-a no cemitério ...

Que pelo que ontem aqui vi
Ela cavava com alegria...
Uma cova para mim,outra pra ti
E toda ela se ria !

Daqui te lanço uma praga,
"Sem cagar fiques um ano"
E comer a merda qu'a gente caga
Até te chegar ao tutano !

Jack

O Cartel quer umas quadras,
Para em Junho festejar,
Já me dói esta cabeça,
De tanta rima experimentar.

Muitas festas se vão fazer,
E Santo António é o primeiro,
O professores pedem um milagre,
E paz para o ano inteiro.

S. João faz grandes fogueiras,
Arraiais para as multidões,
No pão a boa sardinha,
E suspira-se pelos escalões.

S. Pedro fica para último,
Faz parte da tradição,
É hora de dizer bem alto,
O estatuto foi uma traição.

Exorcísmico

Lurdes é seu santo nome
Mas de Santa nada tem,
Se é o não mãe do "Primeiro"
Não interessa a ninguém...

Socióloga de formação
E com obra editada.
Mas... agora de Educação
Não percebe mesmo nada!

Donde vem, quem ela é?
Continua a ser mistério...
Só uma coisa é certa:
Não serve para o Ministério!

4.6.07

Eu vou andar por aqui

Chego à aula, e vejo as crianças
sorrirem para mim, de alma aberta,
e aquelas faces,prenhes d'esperanças
buscando aqui e ali outra descoberta!

Como é bom afagar-lhes os cabelos
e verter uma lágrima por mais uma causa,
e sermos de novo, como eles sabem sê-los
homens e crianças,sem nenhuma pausa.

Vê-los ali, a olhar para nós...
à espera de tudo o que lhes faz falta,
e sentir, sentir que estamos sós
que ninguém nos ajuda a animar a
malta !

E regresso a casa, faces cerradas,
unhas afiadas contra a escravidão,
que deixa crianças sós,desamparadas,
a quem cedo, cerce cortaram,qualquer ilusão ...

Barão da Tróia


Santo António, santo orador,
arenga a estes desclassificados.
Diz-lhes quanto custa ser professor,
nesta terra de iletrados.

São João, meu santinho milagreiro,
já congelaram os escalões, só para poupar dinheiro.
Agora tiram-me a progressão,
para eu acabar na escravidão.

São Pedro, meu santo porteiro,
tivesse eu antes a tua chave, fosse também porteiro.
Não andaria agora, em bolandas neste rol ,
sempre de casa às costas como o caracol.

Fórum Educare

A Poesia anda pelo Fórum

Milu
ernesto randolfo - ( 09-07-2006 )
Milu/ Onde andas tu?/ Sinto a falta do teu despacho/ Sinto-me nu/ Não me arranjas um tacho?// Quando acabares com a educação/ O que está para breve/ Dizes ao primeiro/ Que sou teu irmão/ E um gajo que escreve// Faço decretos, despachos e portarias/ Regulamentos, normativos/ Ponho em leis agonias/ Para professores lascivos// Milu/ Que é feito de ti?/ Há quantos dias não despachas/ Olha para mim aqui/ Sou o que precisas, não achas?// Damos cabo dos professores/ Da escola ninguém fala/ Se eles sentirem dores/ Dizemos que é uma cabala// Contra ti, meu amor// Que tanto fazes pelo país/ Sentada ao computador/ Em projectos estudantis// Eles não querem perceber/ Que és uma reformadora/ Chamam-te castradora/ Mas no inferno vão arder// Eles são professores/ Gente cheia de pecado/ Se não forem teus priores/ Eles que fiquem de lado// Milu, sou teu, todinho!//


alto e pára o baile!
As Sessor - Lisboa ( 09-07-2006 )
qu''esta bela é só minha/ conheço-te raposa velha/ de tez bem vermelha/ não hás-de comer desta vinha/ nem qu''a vaca tussa/ sua raposa russa/ Meu grande crápula/ ah, mas são verdes/ dizias na tua fábula/ nem os cães a podem tragar/ pois esta dama hercúlea/ tem tal famosa gula/ que os teus fracos arrufos/ a não comovem, nem demovem/ da vossa vida (es)tragar!

Devaneios
Milu 10 de Outubro - que cinco é pouco para mim ( 09-07-2006 )
Ora quem a mim diria / que numa tal situação / um dia me envolveria? // Já sei que sou desejada / Que os meus despachos esperam / Que vida tão atribulada / Nem pela noite sossegam! // ernesto, não sejas impaciente / Precisas saber esperar / Tenho de ser prudente / Se os quero bem enganar // As Sessor, meu braço direito, / Moscas assim não apanhas / Não ataques tudo a eito / São precisas umas manhas // “Mas como os vou enrolar / Com uma bonita canção / Se me estou a borrifar / Pró que seja a educação?// Ministra quero ser / Que isto é que está a dar / Ao Primeiro obedecer / E mais uns cobres caçar”// --- Não há mal que sempre dure / Nunca ouviste dizer? / Já não há quem te ature / As malas podes fazer!